Eis que me encontro na imagem. Fiquei observando, parecia até um cenário de filme, a porta de uma venda na Toscana: “Antica Bottega Toscana”, diz o letreiro. Parace tão perfeito que às vezes eu me esqueço que estive lá. Um olhar mais atento e eu me encontro no reflexo do vidro, ali no cantinho, meio distorcida. E aí eu me lembro porque tudo vale a pena. Momentos como este fazem muita coisa valer a pena. Estar ali, diante de uma imagem que a gente vê nos filmes e suspira por estar ali por alguns segundos. E eu estava, eu estive, foram mais que segundos, foi mágico.
Cada dia tem seu valor. E você não precisa estar na Toscana ou em Trancoso. Mesmo quando não nos damos conta, cada dia tem a sua beleza. Enterrados nos problemas esquecemos de olhar, não procuramos os nossos reflexos nas belezas da vida, na vitrine do mundo. Estamos ali, estamos. Num canto, encolhidos, meio distorcidos, mas estamos. Não estamos sabendo enxergar. Não estamos compreendendo a visão. Ficamos enrrustidos, choramingando, com auto-piedade. As escolhas da vida são nossas. Ninguém nos obriga a ficar onde estamos, ou a partir. Ninguém, por mais que pensemos que sim, é responsável pela nossas angústias, frustrações, decepções. Somos seres cheios de expectativas e é isso que nos estraga. É isso que traz toda essa amargura da vida quando as coisas não saem como esperamos, porque estamos sempre esperando, esperando, esperando… que aconteça isso, que fulano aja da seguinte forma, que sicrano fale isso, e beltrano não conte aquilo. E a culpa é de quem? A culpa é de quem?
Eu estou no reflexo, na vitrine do mundo. Faço parte desse universo. E fazer parte é agir, não esperar. Um bom dia! Que você faça deste um bom dia.

